13. Eu e as minhas pedras

08/07/2011 16:27

Eu e minha pedra, minha pedra e eu.

Entre eu e ela, tantas coisas diferentes, mas tanta coisa em comum.

A pedra é sinal de solidez, de resistência.

Eu e ela temos aspectos semelhantes, pois há tempos em que sou sólido, há outros de resistência comigo mesmo, com o outro.

Minha pedra é multifaceada e colorida da mesma forma que eu.

Há dias que apresento várias facetas: lisura, textura, beleza, nobreza, transparência, originalidade.

Há dias em que trago o cansaço, a dureza, a capacidade de fazer os outros tropeçarem, machucando-os.

Às vezes, por pequeno que eu seja, torno-me uma pedra incômoda.

A minha pedra é um universo!

Traz em si uma explosão do universo, da Via-Láctea, um pedaço de vidro, à prova de bala, estilhaçado, uma interioridade misteriosa.

Ela é um iceberg, um coração, uma coisa esquisita que eu não consigo descrever, nem sentir.

É o perceptível-imperceptível, um pequeno animalzinho, uma expressão de afeto, de contato com o profundo que não conseguimos conhecer.

Sou uma pedra? Uma pedra sou eu?

Ah, não chego a resposta nenhuma.

Só sei que pedras existem e são seres. E seres existem numa existência inexistente que não compreendemos enquanto não conseguirmos descobrir o interior de nossa pedra e a usarmos para a nossa construção.

Assim, querida pedra você e eu. Eu e você podemos ser ótimos companheiros se você, dentro do meu sapato, ajudou-me a descobrir onde é a dor de minha existência.

Senhor, que eu edifique minha construção sobre Si, Pedra Angular. Que eu possa ser também pedra angular para os meus irmãos, no caminhar do meu dia-a-dia até à morte!