21. O meu Cristo de cada dia

03/12/2012 12:06

Andei meditando e me perguntei: como será o Cristo do meu dia-a-dia? Pus-me a refletir e...

O Cristo de cada dia é aquele que nasceu na gruta de Belém, no frio, na pobreza, na infinita pequenez do ser humano, capaz de encarnar em nossa realidade.

É o Cristo da Esperança, dos gestos concretos de amor.

É aquele que cura as feridas, estendendo a mão aos estropiados pelo peso de suas cruzes.

É o Cristo da fé que me impulsiona a acreditar na vida, no homem e na mulher, apesar das suas incongruências e inconstâncias.

É o Cristo humano desanimado e fraquejado, junto comigo, que fita seu olhar dentro dos meus olhos e me ama.

É aquele que vivencia comigo os meus medos e me ajuda a superá-los

É o Cristo que chora amargamente quando vê os homens destruindo a si próprios.

E aquele que questiona o meu egoísmo e a minha indiferença,

Alegra-se com as minhas virtudes e as compartilha.

Chama-me a caminhar com ele...

O Cristo do meu dia-a-dia é:

Kénosis: aniquilamento total

Koinonia:comunhão plena

Diaconia: serviço a todos

Martirya: doação da vida por acreditar na justiça, no amor e na fé

É metanóia: transformação interior

É dynamis: força vital que nos impulsiona a agir.

Ele me provoca temor ao sentir a sua bondade e tremor quando vejo seu rosto multifaceado frente à minha pequenez.

O Cristo do meu dia-a-dia se encontra entre o limite da minha razão e o da absurdidade profundamente abissal de minha fé

O Cristo se encontra no rosto do mendigo caído, vítima do meu/ nosso pecado social

É o cântico novo enviado por Deus a esta terra.

É o infinitamente frágil e o infinitamente potente

É palavra de libertação para os cativos de suas prisões

É o começo e o fim de toda história

É o Cristo da misericórdia e do perdão.

É aquele que ouve e se guia pelo olhar da compaixão.

O Cristo do meu dia-a-dia é o da oração interior, da contemplação e da alegria sincera que brota no coração.

É uma força que me impulsiona a viver cada dia e a deixar para trás todas as minhas fraquezas.

É vida que brota onde tudo é morte!

O Cristo que me acompanha sempre e está em todo aquele que busca, justamente, a felicidade.

Está no rosto encarquilhado e desprezado dos velhinhos e velhinhas – considerados lixo humano pela sociedade moderna – que despreza a sabedoria e as suas tradições e pensa somente no lucro e na potência e muito pouco na dignidade e nunca na fragilidade do ser.

É o meu amigo a quem posso fazer-lhe as minhas confidências e posso ver, no fundo dos seus olhos, através da beleza do pôr-do-sol toda a sua magnanimidade, seu coração puro e sincero a me acolher.

É alguém que não condena os meus erros, assim como os pais e avós não condenam a pequena criança quando ela cai por ter ousado dar os primeiros passos...